Relatório Outubro de 2024
RELATÓRIO TÉCNICO DE MONITORAMENTO DE DESMATAMENTO
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RELATÓRIO TÉCNICO DE MONITORAMENTO DE DESMATAMENTO
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A área de estudo compreende a "Fazenda Floresta Amazônica" localizada no município de ApuíAM (Figura 1). De acordo com a classificação de vegetação do IBGE (2021), a área da fazenda está inserida em dois tipos de vegetação: Floresta Ombrófila Aberta (FOA) e Floresta Ombrófila Densa (FOD).
Este relatório técnicoemprega o monitoramento de cobertura vegetalpor NDVI para monitorar possíveis alterações na vegetação no interior da área denominada "Fazenda Floresta Amazônica", como também detectarpossíveis áreas degradadas e desmatadas. Além disso, a partir de imagens de alertas de desmatamento da base de dados do INPE e Imazon, foram monitorados alertas de desmatamento no periodo de 01 a 31 de outubro de 2024, tanto na área da fazenda como no seu entorno.
No sensoriamento remoto,o monitoramento das mudanças na cobertura da vegetação em escalas regionaise globais, é comumente usado o índice de vegetação por diferença normalizada (NDVI) (Shi et al., 2021,Wu et al., 2020). O NDVI é um indicador importante que reflete o estado da vegetação, que é afetadapela precipitação, atividades antrópicas, temperatura e conteúdo de água do solo.
Para a elaboração do mapa de Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI) no período estabelecido entre 01/10/24 a 15/10/24 e 16/10/24 a 31/10/24, foram utilizadas imagens de satélite sentinel L2A. No dia 08/10, foram verificadas condições satisfatórias para a elaboração do mapa de NDVI, com uma cobertura de nuvens de 0%. Adicionalmente, a imagem do dia 18/10 foi empregada, apresentando uma cobertura de nuvens de 10%.
Seguindo o procedimento usual, o NDVI foi obtido através da aplicação do algoritmo que se baseia na diferença de refletância do infravermelho próximo e da refletância do vermelho dividido pela soma das bandas espectrais (1), onde NIR é o espectro eletromagnético infravermelho e o R o espectro eletromagnético vermelho, variando entre -1 e 1 (ROUSE et al.,1974), conforme a equação:
Sentinel-L2A
08/10/24
2024
B8-B4
Sentinel-L2A
18/10/24
2024
B8-B4
Tabela 1. Especificações da imagem de satélite utilizada para cálculo de NDVI.
Além disso, foi elaborado mapa de SAVI para avaliar e comprovar que não está tendo desmatamento dentro da área de estudo. O Índice de Vegetação por Ajuste de Solo (SAVI) é uma variação do Índice de Vegetação da Diferença Normalizada (NDVI) que leva em consideração a influência do solo na resposta espectral das plantas. É utilizado para estimar a densidade e o vigor da vegetação corrigindo os efeitos do solo presente na imagem de satélite.
Foram utilizadas as mesmas imagens do NDVI captadas no dia 18/10. A fórmula do SAVI é a seguinte:
Onde: NIR é o valor de reflectância na banda do infravermelho próximo; RED é o valor de reflectância na banda do vermelho e L fator de ajuste do solo, que varia de -1 a 1 (geralmente é definido como 0.5)
A inclusão do fator de ajuste do solo (L) na fórmula permite compensar a influência do solo na refletância, especialmente em áreas com vegetação esparsa ou solo exposto. O valor de L é geralmente definido em 0.5, mas pode variar dependendo das características da vegetação e do solo da região de estudo.
Para ter maior embasamento dos índices utilizados na área de estudo, também foi elaborado no Qgis o mapa de Índice de Queimada Normalizado (NBR). Trata-se de um índice amplamente utilizado para detectar áreas afetadas por queimadas (Key e Benson,1999), desmatamento ou vegetação danificada. Utiliza as bandas do infravermelho próximo (NIR) e médio (MIR) de imagens de satélite para mapear a extensão e a severidade das queimadas. Foram utilizadas imagens de satélite Landsat 8, especificamente as bandas 5 e 7, datadas de 06/10/2024 (disponíveis em https://earthexplorer.usgs.gov/).
A fórmula do NBR é a seguinte:
Onde: NIR é o valor de refletância na banda do infravermelho próximo e MIR é o valor de refletância na banda do infravermelho médio.
O Índice de Queimada Normalizado (NBR) varia em uma escala de valores de acordo com a metodologia e a escala utilizada. No entanto, uma convenção comum é que o NBR possua valores de -1 a 1. Valores negativos do NBR (-1 a 0) geralmente indicam áreas afetadas por queimadas recentes, desmatamento ou vegetação danificada. Valores mais próximos de -1 indicam maior severidade da queimada ou danos à vegetação. Valores positivos do NBR (0 a 1) são frequentemente associados a áreas com vegetação saudável. Valores mais próximos de 1 indicam maior vigor da vegetação.
Para avaliar o avanço do desmatamento ao entorno da área "Fazenda Floresta Amazônica", foi determinado um raio de 50 km. Foram utilizadas base de dados de alertas de desmatamento do INPE, Imazon. Os dados obtidos para o mês de September estavam no formato shapefile e todo o processamento e filtragem dos pontos de alerta dentro do raio foram realizados no software Qgis.
O Sistema de alerta de desmatamento (SAD) do Imazon utiliza atualmente os satélites Landsat 7 e 8, da NASA, e Sentinel 1A, 1B, 2A e 2B, da Agência Espacial Européia (ESA). O SAD detecta degradações florestais ou desmatamentos que ocorreram em áreas a partir de 1 hectare.
O INPE utiliza imagens dos sensores WFI, do satélite Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS4) e AWiFS, do satélite Indian Remote Sensing Satellite (IRS), com 64 e 56 metros de resolução espacial respectivamente.
Os dados são enviados diariamente ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) sem restrição de área mínima mapeada. Entretanto, para o público em geral os polígonos são disponibilizados com dimensão mínima de 6,25 hectares, permitindo dessa maneira o estabelecimento de um critério de comparação com os dados gerados pelo projeto PRODES.
A identificação do padrão de alteração da cobertura florestal é feita por interpretação visual com base em cinco elementos principais (cor, tonalidade, textura, forma e contexto) e utiliza a técnica de Modelo Linear de Mistura Espectral (MLME), conjuntamente com sua imagem multiespectral em composição colorida para mapear as seguintes classes:
Desmatamento: Desmatamento com solo exposto e desmatamento com vegetação e mineração; Degradação: Degradação, Cicatriz de incêndio florestal; Exploração madeireira: Corte Seletivo Tipo 1 (Desordenado) Corte Seletivo Tipo 2 (Geométrico).
13 A análise da distribuição espaço- temporal do Índice de Vegetação de Diferença Normalizada (NDVI), obtido a partir de imagens do Sentinel-L2A com data de 08/10, revelou uma ampla variedade de valores, abrangendo a faixa de -0,60 a 0,91. Esses dados oferecem uma interpretação significativa sobre a cobertura vegetal na região em estudo. Valores mais baixos de NDVI, situados entre -0,60 e 0,0, geralmente correspondem a corpos d'água, como rios, e a pequenas áreas desprovidas de vegetação ao longo das margens desses corpos d'água. Essa distinção ocorre devido à presença de água, que reduz os valores do NDVI, bem como à abertura do dossel florestal nessas regiões. Por outro lado, os valores compreendidos entre 0,4 e 0,95 estão relacionados a áreas de florestas densas e saudáveis. Essa faixa mais elevada de NDVI indica uma vegetação robusta, refletindo a densidade e a saúde do dossel florestal nessas áreas específicas.
Ao examinar as imagens de NDVI com data de 18 de outubro (conforme ilustrado na Figura 3), constatou-se uma continuidade nos valores semelhantes ao NDVI registrados em 08/10, variando entre -0,99 e 0,93. A consistência desses padrões ao longo do tempo fortalece a compreensão da estabilidade e vitalidade da cobertura vegetal na região em análise.
Ao examinar o Índice de Vegetação por Ajuste de Solo (SAVI), identificou- se variação nos valores entre -0,11 e 0,74. Esses resultados reforçam a conclusão de que não há evidências de desmatamento ou atividades humanas significativas na área de estudo. Valores na faixa de -0,11 a 0,3 podem ser associados a corpos d'água, como rios, e áreas expostas nas margens dos rios. Por outro lado, valores superiores a 0,35 indicam áreas cobertas por florestas densas e em bom estado de preservação.
A análise do Índice de Queimada Normalizada (NBR) realizada em 06 de outubro revelou variações consideráveis nos valores mapeados, que oscilaram entre -0,02 e 0,54. Foram identificados valores negativos próximos de zero, o que indica uma possível relação com o baixo volume dos rios, resultando na exposição de bancos de areia e rochas nas margens.
Além disso, a ausência de elevados valores negativos no NBR indica que não houve perdas significativas de biomassa devido a incêndios, o que é um sinal positivo para a conservação da biodiversidade local. Os valores positivos do índice sugerem uma vegetação relativamente saudável e um solo que não sofreu degradação por queimadas. A análise desses dados é fundamental para o planejamento de estratégias de gestão ambiental, permitindo a implementação de medidas preventivas contra incêndios florestais e a promoção de práticas sustentáveis de uso da terra.
Em outubro, foram identificados 22 alertas de desmatamento em um raio de 50 km da fazenda. Conforme ilustrado na Figura 6, esses alertas concentram-se nas proximidades da cidade de Apuí, em áreas anteriormente desmatadas, o que facilitam o transporte ilegal de madeira extraída. Observe-se também um aumento significativo de alertas de desmatamento ao longo do mês. Ademais, a região amazônica enfrentou uma das secas mais severas dos últimos anos, registrando o maior número de focos de incêndio desde 2014. A Tabela 1 apresenta as coordenadas UTM de cada ponto de alerta de desmatamento, o satélite responsável pela identificação do polígono desmatado e o tamanho da área desmatada em cada ponto. Essas informações facilitam a localização dos alertas para futuras fiscalizações.
A análise dos valores de NDVI ao longo do mês de outubro sugere uma estabilidade na cobertura vegetal da região, sem indícios significativos de desmatamento ou desmatamento florestal. O SAVI reforçou essa estabilidade, ausência de desmatamento ou de atividades humanas relevantes, enquanto o NBR não detectou sinais recentes de queimadas nas áreas monitoradas, confirmando que os ecossistemas florestais mantiveram sua integridade durante esse período.
Entretanto, a identificação de 22 pontos de alerta de desmatamento em um raio de 50 km da fazenda durante outubro ressalta a necessidade de vigilância constante e de ações preventivas para impedir o avanço dessas atividades.
Esses alertas reforçam a importância de um monitoramento eficaz e de controle sobre a exploração de recursos, essencial para mitigar a gestão ambiental. As informações obtidas são fundamentais para subsidiar políticas de conservação, promover uma gestão sustentável do uso da terra e implementar medidas de proteção, garantindo a preservação dos ecossistemas naturais.
Cunha, A.P.M., Alvala, R.C., Nobre, C.A., Carvalho, M.A., 2015. Monitoring vegetative drought dynamics in the Brazilian semiarid region. Agric. For. Meteorol. 214, 494–505. https://doi.org/10.1016/j.agrformet.2015.09.010.
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Botucatu (SP), 04 de outubro de 2024.
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